2.1 Tipos de Representação Cartográfica
Como vimos anteriormente, de acordo com IBGE (1999), os produtos cartográficos podem ser classificados de acordo com:
- o tipo de representação,
- a natureza da representação,
- a escala de representação.
Considerando o tipo de representação cartográfica, os produtos cartográficos podem ser divididos em duas classes: a traço e por imagem.
Os Produtos Cartográficos a traço se subdividem em:
- globo: representação cartográfica sobre uma superfície esférica, em escala pequena, dos aspectos naturais e artificiais de uma figura planetária, com finalidade cultural e ilustrativa.
- mapa: representação plana; geralmente em escala pequena; área delimitada por acidentes naturais e político-administrativos; destinação a fins temáticos, culturais ou ilustrativos.
- carta: representação plana; escala média ou grande; desdobramento em folhas articuladas de maneira sistemática; limites das folhas constituídos por linhas convencionais, destinada à avaliação precisa de direções, distâncias e localização de pontos, áreas e detalhes.
- planta: a planta é um caso particular de carta. A representação se restringe a uma área muito limitada e a escala é grande, conseqüentemente o número de detalhes é bem maior.
Os Produtos cartográficos por imagem se subdividem em:
- ortofotografia: fotografia resultante da transformação de uma foto original, que é uma perspectiva central do terreno, em uma projeção ortogonal sobre um plano.
- ortofotocarta: é uma ortofotografia complementada por símbolos, linhas e georreferenciada, com ou sem legenda, podendo conter informações planimétricas.
- fotoíndice: montagem por superposição das fotografias, geralmente em escala reduzida. O fotoíndice é insumo necessário para controle de qualidade de aerolevantamentos utilizados na produção de cartas através do método fotogramétrico. Normalmente a escala do fotoíndice é reduzida de 3 a 4 vezes em relação a escala de vôo.
- mosaico: é o conjunto de fotos de uma determinada área, recortadas e montadas técnica e artísticamente, de forma a dar a impressão de que todo o conjunto é uma única fotografia. Classifica-se em: controlado, não-controlado e semicontrolado.
- carta-imagem: imagem referenciada a partir de pontos identificáveis e com coordenadas conhecidas, superposta por reticulado da projeção, podendo conter simbologia e toponímia.
No dia 18/03/2009, como parte da avaliação do Módulo 1 da disciplina, os estudantes apresentaram ilustrações obtidas na WWW das diversas modalidades de produtos cartográficos, dentre os quais produtos a traço e produtos por imagem.
Considerando a natureza da representação, os produtos cartográficos podem ser divididos em três classes: geral, temática e especial. A classe geral, por sua vez, em função da escala de representação cartográfica, pode ser dividida em três sub-classes: geográfica, topográfica e cadastral. Tendo em vista que o assunto ESCALA é extremamente importante para a representação cartográfica, o mesmo será revisitado a seguir.
2.2 Escala
Segundo IBGE (1999), uma carta ou mapa é a representação convencional ou digital da configuração da superfície topográfica. Esta representação consiste em projetarmos esta superfície, com os detalhes nela existentes, sobre um plano horizontal ou em arquivos digitais.
Os detalhes representados podem ser:
- Naturais: elementos existentes na natureza como os rios, mares, lagos, montanhas, serras etc.
- Artificiais: elementos criados pelo homem como: represas, estradas, pontes, edificações etc.
Uma carta ou mapa, dependendo dos seus objetivos, só estará completa se trouxer esses elementos devidamente representados. Esta representação gera dois problemas:
- A necessidade de reduzir as proporções dos acidentes à representar, a fim de tornar possível a representação dos mesmos em um espaço limitado. Essa proporção é chamada de ESCALA.
- Determinados acidentes, dependendo da escala, não permitem uma redução acentuada, pois tornar-se-iam imperceptíveis, no entanto são acidentes que por usa importância devem ser representados nos documentos cartográficos. A solução é a utilização de símbolos cartográficos.
De acordo com IBGE (1999), escala é definida como a relação entre a medida de um objeto ou lugar representado no papel e sua medida real. Duas figuras semelhantes têm ângulos iguais dois a dois e lados homólogos proporcionais. Sendo assim, será sempre possível, através do desenho geométrico, obter-se figuras semelhantes às do terreno.
Sejam:
- D = um comprimento tomado no terreno (distância real natural)
- d = um comprimento homólogo no desenho (distância prática)
Como as linhas do terreno e as do desenho são homólogas, o desenho que representa o terreno é uma figura semelhante a dele. Portanto, a razão ou relação de semelhança é a seguinte: d/D, que denomina-se ESCALA DE RAZÃO, definida como a relação existente entre as dimensões das linhas de um desenho e as suas homólogas. A relação d/D pode ser maior, igual ou menor que a unidade, dando lugar à classificação das escalas quanto a sua natureza, em três categorias:
- d > D (escala de ampliação
- d = D (escala natural)
- d < D (escala de redução)
A escala numérica indica a relação entre os comprimentos de uma linha na carta e o correspondente comprimento no terreno, em forma de fração com a unidade para numerador e para denominador um múltiplo de 10.
Escala gráfica é a representação gráfica de várias distâncias do terreno sobre uma linha reta graduada. É constituída de um segmento à direita da referência zero, conhecida como escala primária. Consiste também de um segmento à esquerda da origem denominada de talão ou escala de fracionamento, que é dividido em sub-múltiplos da unidade escolhida graduadas da direita para a esquerda.
A escala gráfica nos permite realizar as transformações de dimensões gráficas em dimensões reais sem efetuarmos cálculos. Para sua construção, entretanto, torna-se necessário o emprego da escala numérica.
O seu emprego consiste nas seguintes operações:
- tomamos na carta a distância que pretendemos medir (pode-se usar um compasso);
- transportamos essa distância para a escala gráfica;
- lemos o resultado obtido.
Trabalho Prático - Escala
1) Analise as plantas da FCT fornecidas em sala de aula pela professora e verifique a escala gráfica. Faça mensurações usando o escalímetro e, utilizando a calculadora, calcule a escala numérica da representação.
2) Analise o mapa da FCT que será empregado no projeto de sinalização. Observe que nele ainda não constam a escala gráfica e a numérica. Localize pelo menos 3 feições lineares comuns entre o mapa e a planta, distribuídas na área de estudo de sua empresa (fundo de vale da FCT). Faça mensurações lineares utilizando o escalímetro e com base nelas calcule a escala numérica do mapa utilizando a calculadora. Verifique se o mesmo resultado foi obtido para todas as feições. Construa a escala gráfica correspondente usando o escalímetro e a régua.
3) Faça um trabalho de campo, visitando as feições selecionadas na planta e no mapa, localizadas no fundo de vale da FCT. Fotografe as feições escolhidas. Faça mensurações lineares usando trena.
4) Compare todos os resultados obtidos e justifique quaisquer discrepâncias.
5) Trace o canal em calha aberta com 9 metros de largura e uma área tampão de 30 metros a partir das laterais do canal, que corresponderia à Área de Preservação Permanente (APP). Durante o trabalho de campo verifique se a legislação ambiental e a legistação urbanística estão sendo aplicadas. Encaminhe sugestões de como sanar o problema.

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Escrito por arletemeneguette às 07h54